sexta-feira, 19 de março de 2010

A Nova Ordem Ecológica?

Irão objetar que o respeito pelos animais é "projetivo" no sentido que os psicanalistas dão a este termo - razão pela qual ele seria próprio da infância. Em um sentido, isso não é falso. Mas é preciso notar que, se o homem não pode deixar de se reconhecer, o pouco que seja, na equivocidade do animal, não é apenas pelo efeito de uma projeção psicológica, mas sim filosófica, pois analogon da liberdade jamais deixará totalmente indiferente aquele que o século XVIII chamou de "homem de gosto". Freud dizia que este último deveria renunciar, mesmo contra a vontade, ao prazer dos jogos de palavras. Eu acrescentaria também as touradas e outros divertimentos da mesma natureza. Entre o "deixar-existir", a Gelassenheit heideggeriana e a ação "civilizadora" imperiosa dos cartesianos, precisamos de um conceito sintético. E se o respeito circunscrito que nós devemos aos animais, longe de estar inserido na natureza, longe de ser uma obrigação da civilização, fosse uma questão de polidez e de civilidade?
p.118 - Luc Ferry A Nova Ordem Ecológica - A árvore, o animal e o homem, Difel, 2009, Rio de Janeiro.

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